História da Cachaça

É fato que muitos brasileiros desconhecem a história da cachaça, que é a bebida típica do nosso país. Vamos colocar aqui algumas informações importantes para trazer à luz do conhecimento do leitor dados históricos que vão facilitar o entendimento do tamanho da importância dessa nobre bebida na nossa cultura.

Desde a idade média o processo de destilação é descrito em documentos das culturas asiáticas e europeias. Esse é um dado muito importante para quebrar de vez o mito de que a cachaça foi uma descoberta acidental em um engenho de cana-de açúcar, visto que o conhecimento sobre o processo de destilação chegou junto com nossos colonizadores. A matéria prima da cachaça também veio com o povo do “ora pois”, a primeira plantação em terras brasileiras foi em 1504 na ilha que Fernão de Noronha ganhou para exploração de pau-brasil.

Os índios eram os únicos habitantes destas terras, antes da chegada dos portugueses, e eles não dominavam conhecimentos de destilação, a bebida deles era o cauim, um fermentado de mandioca, milho ou caju, cuja fermentação se dava a partir de um processo bem rudimentar de mastigação da matéria prima e acúmulo da massa obtida para fermentação e obtenção de álcool. O cauim, um tempo depois, foi destilado e deu origem à tiquira, aguardente de mandioca que até hoje faz parte da cultura indígena.

Afinal, em que região do país surgiu a cachaça? Onde se degustou pela primeira vez esse néctar dos deuses? Há controvérsias! Mas vamos aos dados históricos:

•1516 – primeiro engenho – Itamaracá/PE – rei D. Manuel;

•1520 – estudos arqueológicos revelam engenho em Porto Seguro/BA;

•1532 – Martin Afonso de Souza – cultivo da cana e construção de engenhos -Vila de São Vicente/SP;

Tendo em vista que o surgimento exato não pode ser mapeado, talvez a forma mais correta de explicar seja admitir que muito provavelmente entre 1516 e 1532 a cachaça surgiu no Brasil em regiões que possuíam engenhos para processamento de cana-de açúcar, e pela falta de WhatsApp da época a notícia demorou a se espalhar, sendo assim, se foi em Pernambuco, Bahia ou São Paulo, talvez até seja nos três ao mesmo tempo, o mais importante é que todo mundo aprendeu e hoje em dia a bebida é o espírito do Brasil e tem produção em todo o território nacional.

Outro aspecto importantíssimo é que a cachaça ganhou papéis sociais de relevância, rapidamente. Servida aos escravos, era um elemento integrador da dinâmica social, ajudava na diminuição do impacto da própria condição, mas para alguns era observada como elemento de força, percebiam que os escravos que consumiam ficavam mais rebeldes e com tendências de fuga. Algumas vezes era servida aos negros nas primeiras refeições do dia, no intuito de diminuir o impacto da carga de trabalho e ajudar combater o “banzo” uma espécie de tristeza, hoje mais compreendida como depressão.

Mas o consumo da bebida não era algo somente da sociedade escravagista, muito pelo contrário, era uma bebida presente em todas as esferas sociais, presente em todas as manifestações artísticas, como música, poesia, culinária, etc. Tudo ia muito bem, mas a branquinha começou a incomodar a nobreza portuguesa, porque ficou tão famosa em todos os cantos, que começou a tomar o espaço do vinho português e se tornou a queridinha. Como medida para proteger o comércio do vinho, a coroa portuguesa iniciou um boicote e foi taxando altos impostos, limitando consumo, até que proibiu a produção e comercialização da cachaça. Briga! Os donos de alambique tiveram que lutar, e venceram, em 13 de setembro de 1661, a nossa cachaça ganhou liberdade de existir e conquistar os paladares, apesar de até hoje ser boicotada através de impostos altíssimos que dificultam sua comercialização.

Dia 13 de setembro é o Dia Nacional da Cachaça, e é essa vitória que todos os cachaceiros comemoram nessa data, continuando a luta que aqueles donos de alambique travaram lá no século XVII.

Cachaceiros? Isso é jeito de falar?

Sim! E vamos entender o motivo...

Com a abolição da escravatura em 1888, os negros ganharam liberdade, mas não foram corretamente ressocializados, muitos ficaram desempregados, sem ter onde viver e foram marginalizados. Essa falta de colocação social levou muitos a beber para se entorpecer e mitigar a fome e a dor. Como a cachaça era uma bebida presente em todas as esferas sociais, muitas vezes era dela que eles se “alimentavam”, mas independente de qual fosse a fonte do álcool, a má fama de quem vivia entorpecido carregou a expressão cachaceiro como estigma negativo, dando a ideia de quem consome cachaça é sempre alguém que se excede. Aqui é válido ressaltar que todo e qualquer excesso de álcool é prejudicial à saúde e à sociedade. Ideal mesmo é apreciar a bebida com parcimônia e dedicação aos aromas e sabores por ela proporcionados. Então vamos tirar todo peso negativo da conta da cachaça porque ela nos representa desde os primórdios da nossa sociedade e merece ser reconhecida com valor, agora, depois dessa leitura já temos informações suficiente para entender as definições abaixo e multiplicar essa informação:

CACHACEIRO

Definição atual: que ou quem costuma beber cachaça ou outra bebida alcoólica em grandes quantidades, sem moderação; beberrão.

Definição ideal: que ou quem produz, aprecia, degusta, pesquisa a cachaça.

 

Um brinde à nossa cultura!

 

 

Referências bibliográficas:

Silva, Jairo Martins. Cachaça – História, gastronomia e turismo. Editora Senac São Paulo – São Paulo, 2018.

Ditchun, Ricardo. Bíblia da cachaça. Editora Lafonte – São Paulo, 2018.

Almeida, João e Dias, Leandro. Os segredos da cachaça. Editora Alaúde. São Paulo, 2018.

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