Treinamento em madeiras e envelhecimento de bebidas

Repassamos abaixo as informações sobre o excelente curso.
Para mais informações e inscrição acesse o site aqui

 

TREINAMENTO EM MADEIRAS E ENVELHECIMENTO DE BEBIDAS

PERÍODO E HORÁRIO: 07 a 08 de abril de 2017, das 8h30 às 18h

LOCAL: Departamento de Agroindústria, da ESALQ/USP, na Av.Pádua Dias, 11, em Piracicaba, SP

COORDENAÇÃO: Prof. Dr. André Ricardo Alcarde

ORGANIZAÇÃO: Dra. Aline Bortoletto e Ana Carolina Corrêa

 

PERFIL DO EVENTO: Após a produção da bebida alcoólica, esta pode ser envelhecida em recipientes de madeira apropriados, onde reside por um período de tempo com o objetivo de afinar o perfil sensorial, melhorar a qualidade e consequentemente, agregar valor comercial. Princípios e técnicas relacionadas ao processo de envelhecimento interferem na obtenção do produto final e são considerados pontos importantes na obtenção da qualidade.

 

OBJETIVO: Transmitir informações teóricas e práticas que podem ser aplicadas por produtores, técnicos e interessados em compreender os aspectos legais, químicos e sensoriais envolvidos no envelhecimento de bebidas.

 

PÚBLICO ALVO: Produtores, técnicos e interessados em compreender os princípios químicos e sensoriais relacionados ao processo de envelhecimento de bebidas de qualidade

 

PROGRAMA

07/04 – sexta-feira

08:30 – 09:00 – Visão geral e objetivo do treinamento

09:00 – 10:00 – Princípios do envelhecimento, definição e legislação

10:00 – 10:20 – Intervalo

10:20 – 12:30 – Qualidade da bebida para envelhecer

12:30 – 14:00 –Intervalo

14:00 – 15:30 – Físico-química do envelhecimento – principais reações do processo

15:30 – 15:50 – Intervalo

15:50 – 17:00 – Madeiras para envelhecer bebidas (Carvalho e madeiras brasileiras)

17:00 – 18:00 – Visita guiada aos setores de envelhecimento e ao Laboratório de Tecnologia e Qualidade de Bebidas da ESALQ/USP

 

08/04 – sábado

08:30 – 10:00 – Processos e práticas pós-envelhecimento

10:00 – 10:20 – Intervalo

10:20 – 12:30 – Parâmetros relevantes para o controle do envelhecimento

12:30 – 14:00 – Intervalo

14:00 – 16:00 – Perfil sensorial de bebidas envelhecidas e fundamentos de blends

16:00 – 16:20 – Intervalo

16:20 – 18:00 – Exposições (a confirmar)

 

CORPO DOCENTE

– Dr. André Ricardo Alcarde – Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor pela ESALQ/USP. Pós-Doutorado em fermentação e destilação pelo INRA (Institut National de la Recherche Agronomique – Montpellier, França). Professor do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN/ESALQ/USP), com atuação na área de tecnologia da produção de bebidas fermentadas e destiladas.

Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4706863J6

– Dra. Aline Bortoletto – Pesquisadora do Laboratório de Tecnologia e Qualidade de Bebidas (LTQB – ESALQ-USP). Cientista de Alimentos formada pela ESALQ-USP, com especialização em compostos de aromas, envelhecimento de bebidas alcoólicas, análise sensorial e psicologia cogitiva, na AGROSUP Dijon e na Université de Bourgogne, França.

Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4266779Z0

 

CARGA HORÁRIA: 16h

NÚMERO DE VAGAS: 25

TAXA DE INSCRIÇÃO: R$ 890,00 à vista, e R$ 950,00, parcelado em duas vezes, cada parcela no valor de R$ 475,00 (a 1ª parcela no ato da inscrição e a 2ª para 30 dias do primeiro pagamento.

 

OBS.:

1) No caso de parcelamento a 2ª parcela será cobrada via boleto, com vencimento para 30 dias do primeiro pagamento.

2) Inscrições realizadas via site, com opção de pagamento ou boleto ou depósito, serão efetivadas somente após a identificação do pagamento, para quem optar pelo depósito deverá enviar o comprovante para o e-mail: cdt@fealq.org.br. Após o 4º dias da realização da inscrição se o pagamento não for localizado a inscrição será automaticamente cancelada e para gerar um novo boleto deverá reafazer a inscrição no site, caso não consiga, entre em contato conosco via telefone (19) 3417-6604 ou 3417-6601 ou via e-mail: cdt@fealq.org.br.

Foliões poderão chupar picolé de caipirinha com 13% de álcool

Rede de sorveterias do Rio de Janeiro vai lançar a novidade especial para o Carnaval

Os foliões que decidirem passar o carnaval no Rio de Janeiro poderão experimentar uma picolé sabor caipirinha, com teor alcoólico de 13%.

A sorveteria Itália, que pretende vender 50 mil unidades do sorvete até a Quarta-feira de Cinzas, também oferece uma opção de batida de coco.

As informações são da coluna Gente Boa, do jornal O Globo.

Em carnavais passados, a rede já havia apostado na inovação ao lançar o chandolé, picolé de espumante.

A venda dos picolés alcoólicos é proibida a menores de 18 anos. 

Fonte: 24 horas news

Projeto cria circuito turístico para a cachaça

Intenção é apresentar produtos a preços diferenciados em eventos realizados em todo o Brasil

O Brasil pode ter um circuito turístico voltado para a promoção da cachaça. A ideia é oferecer os produtos genuínos de cada região produtora do Brasil a preços diferenciados, de acordo com projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados.

“O Circuito tem como principal objetivo a valorização e divulgação de várias marcas de cachaça, localizadas nas diversas regiões do país, com a finalidade de melhorar a qualidade dos serviços e um estímulo para os seus produtores”, diz o texto.

Se a proposta for aprovada, dentro das regras do circuito, cada Estado pode definir um calendário e realizar eventos que divulguem a bebida. E só pode ser incluído o produto que estiver de acordo com as normas brasileiras de produção e comércio de bebidas no país.

A legislação define como cachaça a aguardente produzida exclusivamente no território brasileiro a partir da cana-de-açúcar, com graduação alcoólica entre 38% e 48%. A bebida também pode ser considerada adoçada (a depender da quantidade de açúcar na composição) e envelhecida (se esse tempo for de pelo menos um ano).

“Tornar a cachaça Patrimônio Histórico e Cultural do país é medida que se impõe, com impactos extremamente favoráveis à economia”, defende o autor, deputado Goulart (PSD-SP), na justificativa da proposta.

O parlamentar ressalta que, além da bebida ter uma importância histórica para o país, seu consumo cresceu de forma significativa em todas as camadas sociais da população. Para ele, um circuito turístico incentivaria a degustação da bebida, além de gerar empregos e negócios.

A criação do Circuito Cultura e Turístico da Cachaça será analisada de forma conclusiva pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, de Turismo e de Constituição e Justiça. Se passar, não precisará ser votada em Plenário.

Fonte: Globo Rural

Horários especiais nesse fim de ano!

Em razão das festas de fim de ano, a loja abrirá em horários especias, confira:

21/12/2016 – 08h00 às 20h00
22/12/2016 – 08h00 às 20h00
23/12/2016 – 08h00 às 20h00
24/12/2016 – 08h00 às 18h00
25/12/2016 – FECHADO!
26/12/2016 – 08h00 às 14h00
27/12/2016 – 08h00 às 18h00
28/12/2016 – 08h00 às 18h00
29/12/2016 – 08h00 às 18h00
30/12/2016 – 08h00 às 20h00
31/12/2016 – 08h00 às 16h00
01/01/2017 – FECHADO!
02/01/2017 – FECHADO!

 

Acordo une Cachaça e Scotch Whisky. Objetivo é proteção às marcas e maior divulgação

Apesar da população da Grã-Bretanha ser apenas 30% da brasileira, o mercado de destilados local é mais de três vezes maior do que o brasileiro, segundo dados do IWSR. E, claro, eles têm uma história de sucesso para contar quando se fala em divulgação internacional de uma bebida. O scotch whisky é, entre todas as categorias de destilados, o mais globalizado. Mais de 35% do consumo da bebida nacional britânica é realizado fora das ilhas. Enquanto isso, só 1% da cachaça produzida anualmente no Brasil é degustada fora do nosso território.

Ou seja, temos muito o que aprender com os britânicos sobre temas como comercialização, divulgação e cultura de imagem de destilados. E isso faz com que o Acordo de Cooperação Mútua assinado recentemente entre o o Instituto Brasileiro da Cachaça – IBRAC (entidade privada representativa do setor produtivo da cachaça) e a Scotch Whisky Association – SWA (entidade representativa do setor do Scotch Whisky) seja uma notícia das mais promissoras.

O acordo entre a cachaça e o scotch foi assinado na semana passada, em Brasília, com a presença de Sarah Dickson, diretora de Assuntos Globais da SWA, depois de uma negociação que durou mais de um ano.

O interesse no acordo é mútuo. O Brasil é um dos mercados preferenciais do scotch – o oitavo, em termos globais. Já para a cachaça, a Grã-Bretanha é território que já é explorado por marcas como a Magnífica há muitos anos, mas que tem grande potencial de crescimento. Os embarques de cachaça para o país representam 4,83% do total exportado pelo país, o que faz do Reino Unido o nono mercado exportador de cachaça a nível global. É pouco ainda. Marcas como a Bartolomeu tem se dedicado a buscar espaço nos bares ingleses, templos mundiais da coquetelaria.

cachaça scotch
Múcio, do Ibrac, e Sarah Dickson, da SWA

Um dos aspectos mais importantes do acordo é a colaboração sobre o tema Indicações Geográficas. É de interesse tanto da denominação CACHAÇA quanto da denominação SCOTCH WHISKY que os mercados se fechem a contrafações – produtos que não são produzidos nas respectivas regiões tradicionais e submetidos a regras estritas e que  lançam mão dessas denominações.

Outra consequência importante do acordo será a troca de informações entre os dois setores sobre boas práticas de produção, o que abre a possibilidade de cooperação tecnológica – o que é ótimo, desde que, claro, os dois destilados mantenham as respectivas identidades, que levaram ambos a figurar entre os dez destilados mais consumidos do planeta.

No embalo do acordo, o Ibrac anunciou que o Reino Unido será incluído na nova proposta de projeto para a promoção internacional da cachaça que será apresentado em breve pelo instituto à Agência de Promoção às Exportações e Investimentos – a despeito do Brexit.

Fonte: Devotos da Cachaça

Foto: Etílicos

Do gabinete ao alambique: a Cachaça do Ministro

A Doministro está fazendo um grande sucesso, como visto nos dois últimos Cacharitibas. Nosso amigo de longa data esteve lá e nos presenteou com um ótimo relato.

A quarta-feira (09/11) foi dia de visitar o Planalto Central. Aproveitando a minha vinda a Brasília para a reunião da Câmara Setorial da Cachaça – a qual compareço regularmente como representante da Cúpula da Cachaça –, dei uma fugida de 70 quilômetros até Alexânia (GO) para conhecer o alambique da maravilhosa Cachaça Do Ministro. Valeu enfrentar a chuva e o engarrafamento (de veículos, claro) porque o engarrafamento da cachaça é interessantíssimo.

Alambique da Cachaça Do Ministro
Alambique da Cachaça Do Ministro

O grande ministro Carlos Átila resolveu produzir, há cerca de 20 anos e de forma acanhada, a sua cachaça. Naquele momento, ele já estava se aposentando do serviço público, após uma longa carreira na qual ele tinha passado 20 anos no Itamaraty, cinco anos no cargo de porta-voz do presidente João Figueiredo e 13 anos como ministro no Tribunal de Contas da União.

Era uma brincadeira para ocupar as horas vagas, mas agora até rende algum dinheiro. Com uma produção de aproximadamente 20 mil litros anuais, a Cachaça Do Ministro tem no portfólio as variedades tradicional, carvalho e carvalho com amburana, todas de altíssimo padrão.

Conta o Dr. Átila, advogado por formação, que, quando resolveu registrar seu produto, pesquisou alguns nomes e o que melhor lhe veio na mente foi esse, Cachaça Do Ministro. Bem-humorado, ele diz ter percebido que, depois da sua, começaram a aparecer a Cachaça Do Senador, Do Rei, a Do Patrão, etc.

Hoje, a área comercial da empresa teve uma alavancada considerável graças ao empenho do genro, Orlei Bonamin, e do incansável trabalho do Rodrigues, responsável pela fazenda e vereador.

Na verdade, não fui lá só para visitar o alambique. Fingi que era só pra isso a fim de ganhar a carona. De fato, queria mesmo era conhecer o que existia dentro de um tanque que estampava a frase “10 anos em carvalho”. E conheci!. Que preciosidade! Vou deixar vocês com água na boca. A cachaça ali é maravilhosa, equilibrada, sutil, com acidez regular, retrogosto fantástico… Bom, esperem ela chegar às prateleira.

Em breve, esta cachaça estará no mercado em um blend no qual, modestamente, constará a minha assinatura.

Por Manoel Agostinho Lima Novo no Devotos da Cachaça

500 anos de Cachaça!!!

Ela praticamente nasceu junto com o Brasil e tornou-se a mais nacional das bebidas. Em cinco séculos de História, serviu como combustível para os bandeirantes suportarem as longas e insalubres viagens aos sertões, foi utilizada como moeda de troca de escravos na África, desencadeou revoltas contra a Coroa portuguesa e tornou-se símbolo de nacionalidade em momentos políticos e culturais importantes, como a Independência do país e a Semana de Arte Moderna de 1922. Sim, estamos falando da cachaça, que completa 500 anos este ano.
Os documentos são esparsos, mas, de acordo com os especialistas, os primeiros goles da branquinha foram dados a partir de 1516 em algum engenho construído na
feitoria de Itamaracá, em Pernambuco. A cana-de-açúcar já tinha chegado ao país alguns anos antes, em 1504, pelo fidalgo português Fernando de Noronha, que recebeu
a concessão da ilha, batizada posteriormente com o seu nome, para a exploração do pau-brasil.
“A cachaça foi uma das protagonistas da civilização do açúcar, que marcou um dos mais importantes períodos do desenvolvimento econômico do Brasil Colônia, principalmente no tempo das capitanias hereditárias. Pode-se dizer que, historicamente, a cachaça foi testemunha ocular das transformações econômicas vivenciadas pelo Brasil”, diz o engenheiro Jairo Martins Costa, especialista no assunto e autor do livro Cachaça – O Mais Brasileiro dos Prazeres. Segundo ele, a cultura do açúcar, e por consequência da cachaça, começou bem antes da expedição do colonizador Martim Afonso de Souza no litoral paulista, em 1532.
Além de pesquisas arqueológicas conduzidas por universidades na Bahia e Pernambuco em antigos engenhos de açúcar, um documento da alfândega de Lisboa
aponta o pagamento de imposto sobre um carregamento de açúcar, vindo de Pernambuco, datado de 1526. “É a prova de que a produção começou muito antes de São Vicente.
O que aconteceu a partir de 1532 foi a forte expansão da civilização do açúcar”, diz Costa, lembrando uma frase do folclorista Câmara Cascudo no seu livro Prelúdio
da Cachaça: “onde mói o engenho, destila o alambique”.
CACHAZA
Alguns mitos se esvaem ao estudar a história da branquinha. Um deles é que a bebida teria sido descoberta por acaso por escravos durante o processo de fermentação da canade-açúcar. A evaporação do caldo teria condensado ao bater no teto do engenho e daí teria nascido o nome “pinga”.
Segundo os estudiosos, não foi bem assim. As primeiras produções foram planejadas pelos colonizadores. Uma evidência é que o nome mais aceito para cachaça vem do espanhol “cachaza”, uma bagaceira de baixa qualidade produzida pelos ibéricos a partir das borras de uva. “Os europeus já dominavam as técnicas de destilação havia muito tempo, produzindo bebidas como a bagaceira. Como não tinham uvas aqui, improvisaram uma bebida com o resíduo da cana”, explica Silva.
A bagaceira, junto com o vinho português, foi um dos motivos para uma rebelião de produtores de cachaça ocorrida no Rio de Janeiro no século 17. Com a Popularização da bebida, em 1635 a Coroa baixou uma lei proibindo o comércio de aguardente, para não concorrer com a bagaceira e o vinho portugueses. A lei não pegou muito e a pinga continuou sendo produzida em larga escala, inclusive para o mercado externo. Em Angola, que também era uma colônia portuguesa, chegou a ser utilizada durante muito tempo como moeda de troca pelos traficantes de escravos.
Em 1647 foi criada a Companhia Geral de Comércio, uma empresa portuguesa que passou a ter o monopólio da venda de diversos produtos nas colônias, inclusive asbebidas alcoólicas. Por aqui, porém, a cachaça continuava fazendo enorme sucesso, mesmo sendo vendida clandestinamente. Os fazendeiros, longe de agir por debaixo dos panos, não escondiam sua atividade e eram, inclusive, respeitados na sociedade em quer viviam.
REVOLTA E PAZ
A relativa paz durou até 1659, quando o governo português fechou novamente o cerco, dessa vez com repressão e destruição de alambiques. No ano seguinte, vereadores do Rio de Janeiro propuseram liberar a bebida. Diante da recusa, alambiqueiros lideraram uma rebelião – que ficaria conhecida como Revolta da Cachaça – e tomaram o poder da cidade durante cinco meses. A Coroa conseguiu acabar com a rebelião e retomar o poder no Rio de Janeiro, mas os revoltosos conseguiram uma importante vitória: em 1661, a rainha de Portugal, a regente Luísa de Gusmão, autorizou a produção e o comércio da aguardente no Brasil, mediante o pagamento de impostos. Nessa época, o açúcar brasileiro começava a sofrer forte concorrência com o produzido pelos holandeses nas Antilhas, de qualidade superior.
Além do açúcar, a cana levada pelos holandeses após sua expulsão do Brasil, em 1654, deu origem a uma bebida que é considerada “filha” da cachaça: o rum.
Depois da liberação pela rainha, surgiram várias regiões produtoras de aguardente, de norte a sul do Brasil. A cidade de Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro e um dos principais portos do Brasil Colônia, chegou a concentrar mais de cem alambiques a partir de 1700. Parte da produção seguia para Minas Gerais pela Estrada Real, durante o Ciclo do Ouro. Outra parte era escoada para o resto do Brasil e outros países da Europa e África.
“Se você falar da história de Paraty, vai ter de citar a cachaça. E se falar da história da cachaça, vai ter de citar Paraty”, diz Lúcio Gama Freire, 43 anos, presidente da
Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Paraty. A bebida da região era tão famosa que, durante muito tempo, era comum as pessoas pedirem uma “parati”
quando queriam um simples copo de aguardente, tanto na Colônia como na Corte.
UFANISMO
“Com o aprimoramento da produção a partir do século 17, aumentou o número de consumidores, e a cachaça passou a ter importância econômica. O ápice do prestígio ocorreu no século 19, quando se transformou em símbolo de brasilidade”, diz o empresário Leandro Dias, CEO da Middas Cachaça, marca que atende o segmento de luxo.
“Deixar de bebê-la era considerado atitude antipatriótica, pois o Brasil vivia o período das lutas da Independência”, completa Leandro. Um brinde com a caninha
passou a ser sinônimo de nacionalismo. Diz-se que dom Pedro I teria brindado a Independência do Brasil com um cálice de cachaça artesanal.
Um século depois, em 1922, jovens intelectuais repetiriam o gesto na Semana da Arte Moderna, em São Paulo. Os modernistas consideravam a bebida um símbolo líquido do país. O casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral gostava de divulgar a culinária brasileira e a cachaça em Paris. Levavam a bebida em frascos de perfume na mala para não haver problemas ao entrarem na França. Nas reuniões oferecidas a amigos parisienses, costumavam servir caipirinha e feijoada.
BEBIDA FINA
Após vencer o estigma de “bebida barata servida em balcão de botequim”, a cachaça voltou às altas rodas nas últimas décadas, em especial por causa da produção de cachaças artesanais. Além das de Paraty, ganharam fama as bebidas produzidas em estados como Pernambuco, Ceará e, principalmente, Minas Gerais. Nas montanhas de Minas, a cachaça ganhou status principalmente pelas cachaças produzidas em cidades como Januária e Salinas, no norte do Estado. Salinas, que até hoje abriga várias destilarias de qualidade, é terra natal de um dos grandes personagens da história da cachaça brasileira, Anísio Santiago. Produtor da cachaça mais famosa do país, a
Havana, Anísio era um tipo excêntrico que raramente saía de sua fazenda. Até morrer, em 2002, costumava pagar seus empregados e outras despesas com garrafas de sua preciosidade, disputadas por apreciadores e colecionadores da bebida. Os descendentes de Anísio, morto em 2002, assim como outros produtores em todo o Brasil, continuam a produzir e escrever a história da bebida brasileira que, como registrou o historiador Gilberto Freyre, “vem dos mais velhos dias do Brasil”.

Direto da Escócia, uma pergunta: por que não tratamos a cachaça como eles tratam o whisky?

Quando recebi o convite para escrever esta coluna, o amigo Dirley Fernandes pediu-me para escrever atualidades, mas, hoje, pedirei licença para explorar dois episódios antigos que, de certo, vão iluminar ainda mais um evento novo.

Há cerca de três anos visitei o México, mais precisamente Jalisco, para conhecer um pouco da produção de tequila, o spirit mexicano. Cumpri o roteiro e aprendi muito por lá. Mas também tive lições importantes durante os momentos de esbórnia. Passei pelos bares da vida mexicana e percebi que, em todos eles, fossem simples ou sofisticados, havia uma carta de tequila e dezenas de marcas e tipos daquela bebida na prateleira.

Há dois anos, ou perto disto, fui convidado para participar de um ranking de piscos em Lima, capital peruana, e a associação de produtores local me levou a conhecer bares e restaurantes. Lá, acontecia a mesma coisa que no México: várias marcas e tipos da bebida local enfeitavam prateleiras e fantásticas cartas eram disponibilizadas para os frequentadores.

Hoje, estou saindo de Edimburgo, depois de visitar Elgin, Glasgow e outras cidades. E, aqui na Escócia, como acontece no Peru e no México, todos – eu disse TODOS – os pubs e restaurantes possuem uma ampla variedade de uísques, oferecem uma carta elaborada com profissionalismo e demonstram o orgulho de serem o único país produtor do Scotch Whisky.

Bom, aonde quero chegar? Numa questão que me persegue: por que, no Brasil, o único produtor de cachaça no mundo, os bares e restaurantes tem duas ou três marcas, muitas vezes de baixa qualidade, não têm carta – ou quando tem, é elaborada da forma mais precária possível – e, pior, muitas vezes têm até vergonha da bebida?

Como sempre falo em minhas palestras, é um trabalho de formiguinha, mas, mesmo assim tem que ser feito diuturnamente. Devemos ter orgulho do nosso destilado nacional, como os outros países têm. Não vou sequer falar agora das qualidades e diferenciais da cachaça, que a põem – no mínimo! – em pé de igualdade com os outros destilados nacionais citados. Apenas repito esse fato: a cachaça é o destilado nacional brasileiro. Ela é nossa!

Por Manoel Agostinho Lima Novo no Devotos da Cachaça

Quem não bebe não ganha dinheiro e não sobe na carreira, diz NYT

Beber é essencial para ter uma carreira profissional promissora e, consequentemente, ganhar dinheiro. A afirmação é do jornal mais influente do mundo, o The New York Times, que, em reportagem publicada, afirma que quem não bebe álcool é visto com desconfiança e dificilmente consegue fechar um bom negócio.

Dizendo até que a cerveja é um dos ingredientes importantes de Obama na corrida à releeição nos EUA, a reportagem afirma que “as pesquisas apoiam a ideia de que os que não bebem têm dificuldades para subir na hierarquia corporativa. Vários estudos demonstraram que as pessoas que bebem ganham mais dinheiro do que as que não bebem.”

“Esperam que você beba, e beber é parte do que você faz; as pessoas ficam meio sérias se você disser que não bebe”, disse Link Christin, diretor de um programa de tratamento especial para advogados que faz parte de um centro de recuperação contra álcool e drogas que fica no estado de Minnesota. “Se disser que não bebe, você tem que lidar com a suspeita de que não sabe jogar.”

Segundo John Crepsac, um terapeuta de Nova York, em Wall Street, os investidores que não bebem “queixam-se de que não conseguem fechar negócios, não conseguem mesmo entrar nas negociações iniciais porque não entram no comportamento de beber.”

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