Valorização da Cachaça com inspiração em outras bebidas alcoólicas

Renato Figueiredo analisa o que se deve copiar das outras categorias como vodka, whisky e vinho, e o que não se deve.

 

Parece uma pergunta simples, mas não é. Quando se fala em valorizar a Cachaça, há milhares de maneiras de se fazer ou interpretar isto. O principal é saber se inspirar nas outras categorias de bebidas alcoólicas de uma maneira inteligente.

A primeira coisa é que falar de Cachaça é falar de Cachaça, e não de vodka, whisky ou vinho. A Cachaça tem suas peculiaridades, e não precisa, de maneira alguma, se utilizar do vocabulário, das denominações, das frescuras ou ações de marketing de outras bebidas alcoólicas. Em outras palavras, a Cachaça não precisa falar em “harmonização”, “degustação”, “clube do whisky, ops, da Cachaça”, usar termos como “twist”, “ice”, etc. Pense bem, cada uma destas “palavras” ou “coisas” faz você lembrar de uma bebida: vinho, vodka, whisky… Para quê isto se a Cachaça pode ter as suas próprias invenções?

Mistura natural com frutas e especiarias: azulada, “Gabriela” (cravo e canela), gengibre, mel e limão, etc, maneiras diferentes de bebê-la (dentro de uma cuia, de um bambu, vai aí?), envelhecida no próprio tonel no barzinho, etc. A Cachaça tem um vasto território com várias possibilidades que diferem do universo das outras bebidas alcoólicas e a fazem especial também – falta só nomear tudo isto de uma maneira bacana e genuína. Não precisa se “inspirar” nas outras de maneira tão pouco criativa.

Agora, por outro lado, há algo sim que a Cachaça deve “copiar” das outras categorias (P.S: categoria é um termo que a gente usa para falar dos diferentes “tipos” de produtos no mercado, ok? Não tem nada a ver com a ideia de que um produto seja de melhor “categoria” que outro). Se sou contra algumas iniciativas que copiam outras bebidas alcoólica, sou totalmente a favor de ver a Cachaça nos mesmos lugares, com os mesmos preços, com o mesmo respeito e com os mesmos cuidados e “elegância” reservados à bebidas como a vodka ou o uísque. Mas a seu modo.

Aí fica a pergunta: falar em valorizar a Cachaça é então elitizá-la? Sim e não. Não porque não quer dizer tornar a Cachaça uma bebida “SÓ” de rico, e com toda aquela “frescura”. Sim porque é sim, torná-la uma bebida “também” valorizada pelas pessoas que consomem bebidas alcoólicas como o whisky ou a vodka em ocasiões de lazer. Muitas vezes este cara aí não “rejeita” a Cachaça – ou seja, diz que gosta sim quando lhe perguntam sobre ela. No entanto, são raras as vezes em que ele a consome. Mas a Cachaça tem para tudo não ser apenas aquela bebida que ele compra uma vez a cada dois anos quando viaja para Minas ou para o interior do país, que ele toma uma vez no sítio do amigo, ou que, embora não rejeite, simplesmente esquece que existe ao pedir sua “caipirinha” (com “c” minúsculo quando não tem Cachaça!). Valorizar a Cachaça é trazê-la ao cenário de consumo mais valorizado das bebidas alcoólicas hoje – e, mais importante, fazer isto a seu próprio modo. Um modo que a gente ainda vai ter que descobrir mais ao certo qual ele é: o jeito Cachaça de se valorizar a Cachaça.

Renato Figueiredo é um Cachaciador: aprecia a Cachaça de um jeito gourmet, brasileiro, e sem chatice desnecessária. É autor do livro “De Marvada a Bendita: A História, a Gastronomia e as Curiosidades da Cachaça, a Mais Brasileira das Bebidas”, no qual fala sobre este novo olhar sobre a bebida brasileira. (Ed. Matrix, 120p – nas livrarias).

Fonte: Mapa da Cachaça

Cachaça, aguardente ou pinga?

Em definições rápidas e curtas seguem as diferenças entre esses termos tão comuns:

Aguardente é qualquer bebida que tenha sido obtida a partir da fermentação de vegetais doces, como frutas. Sua graduação alcoólica está entre 38 e 54%. Sendo assim, podemos encontrar aguardentes de frutas, cereais e até de raízes.

Cachaça é a aguardente da cana-de-açúcar. Assim toda cachaça é uma aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça. Resumindo; a cachaça é o destilado feito do caldo da cana de açúcar com graduação alcoólica entre 38 e 48%, não podendo conter açúcar acima de 6 gramas/litro.

E falando da pinga, ela sim, é somente um dos sinônimos da cachaça mais utilizados hoje em dia.

Dica do Alambiques do Brasil

 

Remédios caseiros para curar ressaca

Um ótimo remédio caseiro para curar a ressaca é beber bastante água porque ela elimina as toxinas e combate a desidratação, aliviando o desconforto da ressaca, mas para começar bem o dia, experimente tomar 1 xícara de café bem forte sem açúcar.

É importante ainda beber muita água, e se for água de côco, melhor ainda, pois ela contém sódio e potássio que ajudam a regularizar as reações químicas do organismo, que foram perdidas com as várias idas ao banheiro.

Evitar locais muito claros, não fumar e não comer alimentos processados, gordurosos ou industrializados são outras dicas muito importante para curar qualquer ressaca.

Como curar a ressaca com gengibre

Remédios caseiros para curar ressaca

O chá de gengibre é um excelente remédio caseiro para curar a ressaca, pois ele tem a propriedade de favorecer a eliminação do álcool do organismo mais rapidamente.

Ingredientes

  • 10 gramas de gengibre fresco
  • 3 xícaras (750) ml de água

Modo de preparo

Corte o gengibre em pedacinhos menores e coloque numa panela juntamente com a água e deixe ferver por 15 minutos. Depois de morno, coe, adoce com mel e beba aos poucos durante o dia seguinte à bebedeira.

O gengibre tem ação anti-inflamatória e desintoxicante e, por isso, é muito eficaz na eliminação do álcool do organismo, curando a ressaca mais rapidamente.

Como curar a ressaca com mel

Usar o mel para ressaca é uma forma muito eficaz de livrar-se deste desconforto. Basta tomar 1 colher de sopa de mel a cada 2 horas durante o dia da ressaca.

Este excelente e natural remédio caseiro funciona independente do tipo de bebida que causou a ressaca, porque o açúcar natural do mel e as suas características antitóxicas ajudam o corpo a se recuperar e desintoxicar.

Como curar a ressaca com suco de tomate

Remédios caseiros para curar ressaca

O suco de tomate também é uma ótima opção para quem quer se livrar da ressaca pois ele possui um nutriente chamado licopeno que tem uma eficaz ação sobre o fígado, diminuindo os sintomas da ressaca.

Ingredientes

  • 4 tomates grandes e maduros
  • 2 colheres (sopa) de salsa ou cebolinha
  • 1 folha de louro
  • Sal a gosto

Modo de preparo

Bater tudo no liquidificador. Se o suco ficar muito espesso adicione um pouco de água gelada, coloque cubos de gelo em um copo e derrame o suco de tomate por cima. Tomar o remédio caseiro de preferência em jejum.

Para tornar o tratamento ainda mais eficaz, procure hidratar bem o corpo, bebendo bastante líquidos ao longo do dia, ter uma alimentação rica em frutas e verduras e descansar sempre que possível.

Vitamina para curar a ressaca

Outra possibilidade é tomar uma vitamina de toranja com iogurte pois contém propriedades que beneficiam o funcionamento do fígado, favorecendo a eliminação de substâncias tóxicas.

Ingredientes

  • 2 toranjas
  • 1 copo de iogurte natural (180g)
  • 1/2 copo de água com gás

Modo de preparo

Bata a toranja e o iogurte no liquidificador e depois adicione a água com gás. Esta vitamina deve ser consumida 2 vezes ao dia, para um efeito mais rápido.

A ressaca ocorre quando o indivíduo toma grandes doses de álcool, de forma que o fígado não tem tempo para metabolizá-lo completamente. Por isso, o segredo para se livrar da ressaca é limpar o fígado.

Fonte: Tua Saúde

Escolas cachaceiras?

Pelo Brasil encontramos diferentes maneiras de se produzir cachaça – definindo estilos e sabores. Assim como as escolas cervejeiras, poderíamos começar a pensar em escolas cachaceiras?

No mundo da cerveja já está bem consolidada a ideia de escolas cervejeiras. Atualmente, estão definidas 4 escolas distintas e complementares – alemã, belga, inglesa e americana. A proposta de cada escola é dar identidade para determinados estilos de cerveja, definindo sabores e formas de produção e consumo.

Para os alemães vale seguir a Lei da Pureza da Cerveja, que desde 1516 estabelece que os únicos ingredientes usados devem ser o malte de cevada, o lúpulo, a água e a levedura. Já para os belgas não existem restrições, a cerveja pode ser feita com diversos tipos de cereais e vale adicionar frutas, caramelo, mel, açúcar e até especiarias e sementes, além de, na maioria das vezes, ter o teor alcoólico mais elevado. Seguindo essa linha mais excêntrica, na Bélgica são produzidas as famosas Lambics através da fermentação espontânea por leveduras e bactérias selvagens.

Reinheitsgebot

Se o alemão tem a técnica regida pela lei e o belga a criatividade garantida pelas suas leveduras e ingredientes diversos, o inglês é um povo que sabe como quer beber sua cerveja: seca e amarga. Para casar com o clima chuvoso de Londres, os pubs servem cervejas de cor escura (avermelhadas, pretas, acobreadas) e encorpadas, criando alguns dos meus estilos favoritos, como as Stouts.

E por fim, liderado pelo movimento dos produtores caseiros de cerveja nos EUA, uma linha de pensamento cervejeiro que vem dominando o mundo (inclusive o Brasil), é a chamada Escola Americana. Influenciada pelas três vertentes europeias, os americanos gostam de ousar nos ingredientes e assumem novos limites para o amargor, a doçura e o teor alcoólico, criando as chamadas “cervejas extremas”. Sem regras engessadas, eles inventem modas e tendências, buscando resgatar receitas esquecidas ou fazer releituras de clássicos, como a IPA inglesa que nas mãos dos americanos ganhou mais lúpulo e virou a American IPA, mais amarga e cítrica.

E a cachaça?

Assim como nas escolas cervejeiras as diferenças na produção da cachaça também estão relacionadas à fatores geográficos, culturais, econômicos, legais e históricos.  E em diversos lugares do Brasil, encontramos receitas locais que resultam em cachaças com aromas e sabores distintos, tornando a bebida um dos destilados mais complexos e plurais do mundo.

Com o objetivo de mapear as características sensoriais dessas regiões, junto com a Aline Bortoletto, doutoranda na ESALQ-USP e mestre em madeiras para envelhecimento de bebidas, criamos o Mapa de Aromas da Cachaça.

Esperamos que ao usar essa ferramenta, possamos entender as características de uma produção local, e montar uma série de argumentos para começarmos a falar sobre estilos de produção de cachaça – e dessa forma, valorizar os produtores que criam suas cachaças seguindo uma determinada linha de pensamento.

E quem sabe, valorizar os produtores que não seguem linha alguma e destilam buscando algo novo no mercado. Mas convenhamos, fica mais difícil valorizar os inovadores se não estão estabelecidos certos padrões de mercado como referência. Como ser de vanguarda se ainda não entendemos direito a produção tradicional de cachaça? Fazendo uma analogia com a cerveja, o que seria da escola americana sem as influências das escolas alemã, belga e inglesa?

Roda de Aromas da Cachaça - Jannuzzi Bortoletto

Mapa de Aromas da Cachaça por Aline Bortoletto (ESALQ-USP) e Felipe Jannuzzi (Mapa da Cachaça)

 Quais seriam as Escolas Cachaceiras?

No Mapa da Cachaça começamos a identificar algumas variáveis que definem certos estilos de produção: levedurasingredientesbactériasmadeiras e o mestre de adega. Em um texto passado, inclusive, propomos a valorização de cachaças feitas com conceito. Agora, propomos aqui, algumas ideias iniciais que poderão nos ajudar a identificar e a definir as possíveis “Escolas Cachaceiras”:

AS LEVEDURAS:

Cachaça Weber Haus - Ivoti - RS

Fermentação: onde a mágica acontece

As leveduras são os microrganismos (fungos) com o trabalho de transformar o açúcar em álcool e, durante a fermentação do mosto, criar os principais congêneres responsáveis pelo buquê aromático da cachaça. As diferentes cepas da levedura Saccharomyces cerevisiae são as principais responsáveis pela fermentação da cachaça.

Os produtores podem definir se a fermentação será com leveduras autóctones (selvagens) ou com leveduras padronizadas (selecionadas). As selvagens são as leveduras presentes no ambiente (terroir ) e que espontaneamente começam o processo de fermentação.

Muitos produtores, buscando padronização, estão isolando e congelando as suas leveduras locais para utilizá-las durante diversas safras. Outros produtores compram leveduras selecionadas de fornecedores diversos também com o propósito de padronização e para tornar o processo mais eficiente e controlado – mas perdendo muito do seu território.

Diferentes cepas de leveduras favorecem estilos aromáticos distintos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, produtores estão usando uma levedura importada da Europa que favorece a criação de aromas florais durante a fermentação.

ADICIONAR INGREDIENTES DURANTE A FERMENTAÇÃO:

Fubá de Milho - Fermentação

Fubá de Milho

Durante o processo de fermentação muitos produtores apenas diluem o caldo de cana com água e preparam o mosto. No entanto, para incentivar o trabalho das leveduras, outros produtores adicionam ao mosto ingredientes naturais, como o fubá de milho, o farelo de arroz e até o farelo de mandioca. Podemos fazer um paralelo com as escolas alemã e belga – enquanto um produtor de cachaça é mais purista e não quer nada além de garapa e água no seu mosto, outros acreditam na importância dos aditivos.

Apesar de destilados serem diferentes dos fermentados, estamos convencidos de que a presença de ingredientes influenciam nas características sensoriais da cachaça. É comum, por exemplo, encontrarmos no mercado cachaças com aromas medicinal (alga marinha) e vegetal (milho), influência do farelo de arroz e do fubá de milho, respectivamente.

AS BACTÉRIAS:

No litoral do Rio de Janeiro, em Paraty, o costume é produzir cachaça usando fubá de milho, leveduras selvagens e, se for seguir a tradição à risca, como fazem alguns produtores locais – usar pedras aquecidas durante a fermentação para manter a temperatura do caldo. A cultura de produção de Paraty, que em alguns sentidos se assemelha com a escola belga de cerveja, favorece uma fermentação láctica por bactérias – alguns podem achar essa prática condenável por favorecer a contaminação, mas na nossa visão, é mais uma maneira de agregar personalidade ao destilado – se feito com qualidade e sem riscos à saúde do apreciador.

AS MADEIRAS:

Barril de Carvalho da Cachaça Pendão

Barris de carvalho e amburana

No período do Brasil Colonial, a cachaça produzida no litoral  era enviada para Minas Gerais em barris de madeira para abastecer as minas de extração de pedras preciosas. No tempo da viagem até Minas, a cachaça, pelo contato com a madeira, acabava ganhando aromas e sabores próprios. Hoje, podemos observar que em cidades litorâneas, como Paraty, há um predomínio de produção de cachaças brancas, enquanto que em alguns lugares de Minas Gerais, os produtores optam por armazenar suas cachaças em barris para que elas adquiram características sensoriais, como cor e sabor, provenientes da madeira.

O uso de madeira para agregar novas características sensoriais à bebida é um dos grandes potenciais do destilado brasileiro como bebida de qualidade. A cachaça é uma das poucas bebidas alcoólicas que não envelhecem apenas em carvalho – árvore encontrada no hemisfério Norte. Madeiras nacionais como o bálsamo, umburana, jequitibá, ipê, tapinhoã e dezenas de outras variedades são utilizadas para o envelhecimento da bebida.

Em Salinas, no norte de Minas Gerais, as técnicas de utilização do bálsamo para o envelhecimento da cachaça é uma tradição local, dando ao destilado salinense uma cor amarelo-esverdeado, toques de especiarias (anis) e vegetal (erva mate), além de ser mais picante e amarga na boca.

Erwin Weimann degustando cachaça

Erwin Weimann, químico e mestre de adega de cachaça (master blender)

O MESTRE DE ADEGA (MASTER BLENDER):

Antes de plantar a cana-de-açúcar, o produtor de cachaça tem o sonho de produzir uma bebida com uma identidade. O mestre de adega é o responsável por transformar essa visão inicial em realidade. Unindo criatividade, conhecimento técnico e experiência, ele tem o desafio de harmonizar diferentes cachaças e buscar engarrafar uma bebida com equilíbrio, harmonia e personalidade. Por isso, o mestre de adega é o CARA da cachaça, ou pelo menos, tinha tudo pra ser. Infelizmente, ainda é uma figura  que não ganhou destaque no setor – até mesmo pela falta de reconhecimento da sua importância. Talvez, o mestre de adega mais famoso seja o Anísio Santiago, que de forma empírica, conseguiu criar uma cachaça envelhecida em bálsamo que ficou famosa no mundo inteiro, influenciando toda uma produção local, e talvez, estabelecendo uma Escola Cachaceira própria.

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Este texto é uma provocação para entendermos se o conceito Escola Cachaceira pode ser usado dentro do mundo da cachaça. E se sim, vamos defini-lo? Acredito que podemos avaliar outras questões para avançarmos nesse processo. Mas a proposta é fazermos um esforço coletivo entre produtores, especialistas e consumidores para respondermos todas as perguntas. O convite para o próximo gole está feito, quem me acompanha?

Por: Felipe Jannuzzi no Mapa da Cachaça

Revisão:

Aline Bortoletto: é Cientista de Alimentos formada pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” ESALQ-USP com especialização na AGROSUP Dijon – França e no Institut Universitaire de la Vigne et du Vin IUVV – Université de Bourgogne

Carolina Oda: é gastrônoma, sommelière de cerveja e consultora cervejeira

Branca, amarela, armazenada ou Envelhecida?

Ela pode ser branca ou amarelada

  • Brancas: A cachaça pode ou não passar por madeira. É importante destacar que a cachaça não pode ter nenhuma alteração de cor. Nesse caso, o produtor poderá adicionar a marca as expressões Clássica, Tradicional ou Prata.

A cachaça que não passa por madeira é, depois da destilação, descansada em aço inox e em seguida é padronizada e engarrafada. A bebida apresenta aroma e paladar mais próximos da cana. Agora, algumas cachaças são retidas em madeiras que não soltam coloração (Jequitibá, Freijó, Amendoim) – portanto, elas continuam sendo brancas.

  • Amarelas: A cachaça foi armazenada ou envelhecida em madeira e apresentou alteração substancial na sua coloração. Nesse caso o produtor poderá adicionar a marca a expressão Ouro.

 

A cachaça retida em madeira pode ser armazenada ou envelhecida:

  • Armazenada: A cachaça fica armazenada por tempo indeterminado (2 meses, 5 meses, 1 ano, 3 anos) em tóneis de madeira sem destição de tamanho. Esse processo resulta no chamado “amaciamento” da bebida, influenciado no seu aroma e paladar de acordo com a madeira.
  • Envelhecida: No mínimo 50 % da cachaça fica durante pelo menos 1 ano em tonéis de no máximo 700 litros. Por ser um tonel menor e por ficar retido por mais tempo, as cachaças envelhecidas acabam apresentando alterações mais evidentes na sua cor, aroma e paladar. As cachaças chamadas Premium são 100% envelhecidas de um a três anos. E a Extra-Premium é 100% envelhecida no tempo mínimo de três anos.

Fonte: Mapa da Cachaça

Mestre Derivan lidera campanha para tornar o Rabo de Galo um drinque mundial

Caros devotos, anuncio-vos que é chegada a hora de o Rabo de Galo seguir o caminho da Caipirinha e ganhar o mundo. O velho e humilde cocktail das biroscas paulistanas alçará voo rumo às cartas de drinques de todo o planeta. Na liderança desse projeto, que já move o magma no centro do planeta, está Derivan Ferreira, o Mestre Derivan, à frente do valoroso exército dos bartenders brasileiros.

Qual é o objetivo? Incluir o Rabo de Galo na seleta lista de coquetéis da International Bartenders Association (IBA). Trata-se de um rol onde entram apenas os drinques considerados os mais clássicos do mundo, com as respectivas receitas canônicas. Todo barman world class precisa conhecer os coquetéis dessa lista.

São ao todo 94 drinques, tendo por base os grandes destilados globais. E a cachaça tem apenas uma modesta, ainda que valorosa participação: com a nossa gloriosa Caipirinha.

O projeto, portanto, é levar o Rabo de Galo a ser o segundo coquetel brasileiro e o segundo coquetel à base de cachaça da lista da IBA, o que daria forte impulso ao nosso drinque, à nossa coquetelaria e, claro, à cachaça.

Não é trivial o projeto. “A IBA discute a entrada de novos drinques em prazos longos, tipo de dez em dez anos”, conta o homem que tem Mestre como prenome, Derivan Ferreira de Souza. “É uma caminhada difícil, para a qual precisamos unir todos os esforços”.

A caminhada é longa, mas o piloto é seguro e experimentado. Mestre Derivan foi, como diretor da Associação Brasileira dos Bartenders, um dos principais responsáveis pela inclusão da Caipirinha no rol da IBA, em 1994. De lá para cá, nosso coquetel nacional passou a ser conhecido e servido no mundo todo, tornando-se um dos principais símbolos da identidade brasileira e uma das entradas por onde muitos penetram no mundo da cachaça.

 

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Meste Derivan fala sobre o Rabo de Galo durante a Cúpula da Cachaça. Ao lado, Jean Ponce, do Guarita

Derivan e outros bartenders estão buscando apoio das organizações que militam no universo da cachaça. O primeiro suporte, ele conseguiu há duas semanas. Durante a quinta edição da Cúpula da Cachaça – encontro que reúne alguns dos maiores especialistas em cachaça do país, entre eles o próprio Mestre –, ele apresentou o seu projeto, solicitando o apoio da instituição.

Por aclamação, foi decidido o “apoio ativo” à proposta dos bartenders brasileiros. A Cúpula tomará iniciativas para dar suporte ao que foi batizado como Projeto Rabo de Galo. Derivan colheu ainda um outro apoio fundamental no evento. Carlos Lima, diretor do Ibrac e convidado do encontro da Cúpula, disse que vai levar à instituição que dirige a proposta de apoio e se comprometeu a abraçar a causa. É um belo ponto de partida.

“Vamos seguir angariando apoio e juntando forças para quando chegar a hora de levar nossa pretensão à IBA termos uma rede de apoio que faça a diferença”, diz Derivan. “A gente vai ter que fazer muito lobby. Isso custa muito tempo e algum dinheiro”, diz o Mestre, que aponta um dos handicaps do Rabo de Galo na disputa. “O Rabo de Galo só precisa de um bitter e de cachaça. Cada um tem o seu toque, mas qualquer um pode fazer”.

O Rabo de Galo foi criado na década de 1950. A ideia foi da Cinzano, que estava chegando ao Brasil e intuiu que juntar o seu vermute com a cachaça abriria caminho para a popularização da marca. Em um tiro certeiro, a empresa chegou a desenvolver um copinho com marcas que indicavam as quantidades de bitter e de cachaça a serem misturadas. O drinque – batizado com uma simpática tradução do termo “cock tail”, já em voga – caiu no gosto dos frequentadores de botecos de todo o país.

Nesse século, com o crescimento da coquetelaria brasileira, foi resgatado pelos bartenders, que deram seus toques pessoais e apresentam Rabos de Galo que elevam espiritualmente os devotos, combinando diferentes vermutes, Cynar, cachaças brancas e envelhecidas, uma eventual casca de limão ou laranja, alguns acessórios e sempre bastante gelo. “Tem um sabor internacional e pode ser feito em qualquer lugar do mundo”, diz David Barreiro, do Guarita, outra entusiasta do drinque e da campanha para levá-lo à IBA.

“A gente tem a caipirinha. Mas o limão Taiti não é tão fácil de achar. A gente precisa ter mais drinques nossos nos balcões do mundo. O Rabo de Galo pode ser um pulo do gato para a cachaça”, diz o bartender baiano, com o entusiasmo que é a sua marca.

Fonte: Devotos da Cachaça

O elixir da juventude: sobre as propriedades antienvelhecimento da cachaça

Mais uma ótima coluna do Dirley Fernandes que reproduzimos, dessa vez com informações ainda mais interessantes. Confira!

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Tenho alguns amigos – os quais, certamente, eu não fiz bebendo  leite – que andaram de bonde taioba, tomaram rhum creosotado, votaram em JK e viram o Zeppelin cruzar os ares tupiniquins no tempo em que Dondon jogava no Andaraí.

Todos eles conservam a inteligência, a memória e o bom humor. O que têm em comum? O gosto pela cachaça, que apreciam com a sabedoria dos que já sentiram muitos sabores e dissabores e sabem que o mundo não tem fim. São provas vivas das propriedades antienvelhecimento da cachaça.

Lembrei-me disso ao ver a declaração do médico salinense e produtor da cachaça Erva Doce, João Morais Pena em uma reportagem do programa Caminhos da Roça (Globo/EP TV). “A cachaça tem função digestiva, relaxante e antiestresse. E pela sua atividade de combate aos radicais livres, pode ser considerada também antienvelhecimento”, disse ele.

Não há dúvida das propriedades benéficas que o consumo moderado e consciente de cachaça traz para o ser humano. Uma meta-análise publicada em 2000, com 28 estudos (citada pelo doutor Dráuzio Varella aqui), comprovou que o consumo de duas doses por dia torna o risco de ataque cardíaco 20% menor. O segredo está no aumento do nível do “colesterol bom” (HDL) e na redução da glicose. Outro estudo, citado pelo mesmo médico, chegou a um risco 32% menor para o consumidor moderado.

A propriedade antioxidante da cachaça, no entanto, é uma das mais interessantes e pouco conhecidas. Ela se encontra em todas as variedades do nosso destilado, mas,sobretudo, naquelas que passam por alguma madeira (as armazenadas e envelhecidas).

O que acontece é que, durante o armazenamento da cachaça em tonéis de madeira, ocorre uma miríade de modificações químicas na bebida e surgem, entre outros componentes, os chamados compostos fenólicos.

Os ácidos fenólicos são elementos aromáticos, comumente presentes em madeiras, frutas e flores e que cumprem certas funções no desenvolvimento das espécies – como, por exemplo, proteção contra patógenos ou predadores.

Os fenólicos, como a catequina e e miricetina, são extraídos diretamente da madeira e se incorporam à cachaça durante o tempo de armazenamento. A gente pensa que a cachaça está parada no barril e um intenso processo de troca e transformações está em curso. O mais conhecido dos fenólicos, talvez, seja a vanilina (ácido vanílico). Esse elemento, que confere o aroma abaunilhado da cachaça envelhecida numa série de madeiras (o jequitibá é exceção), surge do contato entre a lignina, presente nos barris de madeira, e a cachaça. Um processo químico, mas pode chamar de milagre.

Os radicais livres atacando as células. A cachaça, consumida moderadamente, ajuda na defesa

Os radicais livres atacando as células. A cachaça, consumida moderadamente, ajuda na defesa

Pois bem, esses fenólicos possuem comprovadas propriedades antioxidantes e anticoagulantes. Ajudam a evitar a formação de trombos nas artérias e combatem os radicais livres e outros “poluentes” do nosso organismo.  Quanto maior for o contato da bebida com a madeira, maior será a concentração desses compostos na cachaça. Portanto, a cachaça envelhecida é ainda mais benéfica para a saúde do que as brancas (que também tem seus fenólicos e são saudáveis).

Um estudo com cachaças baianas (Santana, 2014) mostrou que, entre as mais saudáveis, as envelhecidas em carvalho e em bálsamo ocupam espaço de destaque, por apresentarem um “perfil fenólico mais abundante” e maior capacidade antioxidante. É bom lembrar que os radicais livres são elementos produzidos por nosso próprio organismo que, ao longo do tempo, vão atacando e matando as células. Eles podem ser eliminados no contato com os antioxidantes, só que, com o passar dos anos, nossa capacidade de produção desses elementos se enfraquece. Quer fortalecê-la? Beba uma dose de cachaça antes do jantar.

Um outro estudo (Da Silva et. al., 2009) comprovou que o carvalho de europeu é o mais rico em fenólicos, em especial o de origem portuguesa.

Portanto, na dose recomendada pelos médicos (duas diárias), as propriedades antienvelhecmento da cachaça vão te deixar mais jovem, com menor risco de infarto e, sem dúvida, mais de bem com a vida.

Por fim, uma curiosidade: a cachaça que apresentou a maior capacidade de sequestro de radicais livres no estudo citado acima foi produzida em Ilhéus (BA). Tudo leva a crer que seja a Rio do Engenho Reserva. Empiricamente, uma ótima cachaça, e parece que, quimicamente, também.

Por Dirley Fernandes no Devotos da Cachaça

Exportações de cachaça têm alta de 4,62% em valor e totalizam US$ 13,93 milhões em 2016

Após encerrar o ano festejando o retorno da cachaça ao Simples Nacional, o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) inicia 2017 comemorando o aumento das exportações de cachaça em 2016. Segundo dados divulgados pelo Ibrac, as exportações de cachaça em 2016 cresceram 4,62% em valor e 7,87% em volume, totalizando
US$ 13, 93 milhões e 8,3 milhões de litros.

Esse resultado positivo é um dos frutos do Projeto de Promoção às Exportações de Cachaça, “Cachaça: Taste the new, Taste Brasil”, (www.tastebrasil.com), desenvolvido em parceria pelo Ibrac e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Assinado em 2014, o Projeto teve investimentos de mais de R$ 1,3 milhão e contou com a participação de mais de 50 empresas, entre micro, pequenas e grandes empresas. Esses recursos foram investidos em ações de promoção da cachaça nos Estados Unidos, Alemanha e México.

“A parceria e o apoio da Apex-Brasil têm sido fundamentais para o processo de consolidação, promoção e reconhecimento da cachaça no mercado internacional”, explica Carlos Lima, Diretor Executivo do Ibrac.

Lima ainda ressalta que as empresas participantes do projeto foram responsáveis por mais de 60% do valor total exportado de cachaça em 2016, e que a entidade está em fase final de elaboração de uma nova proposta de projeto a ser apresentado para a Agência.

Para o Gerente de Exportação da Apex-Brasil, Christiano Braga, a cachaça é um produto destilado tipicamente brasileiro e que tem tudo para alcançar status internacional. “A cachaça é, cada vez mais, reconhecida internacionalmente. O objetivo desta parceria com o Ibrac é trabalhar para transformar este produto genuinamente nacional em um ícone internacional. Quanto maior a inserção das empresas nacionais no mercado externo, melhor será a reputação e o reconhecimento do nosso produto”, afirma.

(*) Com informações da Apex-Brasil no Comex do Brasil

Um roteiro por Morretes, capital da cachaça paranaense

Nosso amigo Agostinho esteve pelo sul agora em janeiro, passou por Morretes e deixou esse belo relato lá no Devotos da Cachaça. Confira:

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Todo terceiro sábado de janeiro um grupo de veteranos fuzileiros navais se reúne em Colombo, perto de Curitiba, para recordar velhos momentos em torno de um churrasco com cerveja e obviamente cachaça. Eu, orgulhoso veterano, faço parte deste grupo. 

Assim parti para a capital paranaense no último final de semana, e ir a Curitiba significa visitar Morretes, terra do barreado, comida típica da cidade, e capital da cachaça paranaense.

O programa começou com ida ao Stuart (na Praça Osório, 427 – Centro,  considerado o bar mais antigo da capital paranaense, inaugurado em 1904, e um dos mais antigos do Brasil). Ali, a pedida é comer carne de onça, um prato elaborado com carne de boi moída, acompanhado de cachaça.

No dia seguinte, logo cedo, um belo passeio pela Estrada da Graciosa, descendo a serra cercado de natureza e apreciando a vista bucólica a caminho de Morretes – um passeio que, aliás, pode ser feito também de trem. 

Um pouco antes de chegar no centro da cidade surge o alambique da Cachaça Engenho do Colono, a “cachaça teteia de Morretes”. Uma visita às instalações não custa nada, salvo pequenos buracos na via. Depois, uma esticada ao bairro de Marumbi, onde está o alambique responsável pela cachaça que ganhou o primeiro e sétimo lugares no II Ranking da Cúpula da Cachaça, a tradicional Porto Morretes. Lá se degustam as variedades Prata, Premium e Extra Premium (Tradição), as duas últimas em carvalho.

cachaça paranaense Porto Morretes
O alambique da Porto Morretes, com a Serra da Graciosa ao fundo

Este passeio inclui um giro pela bucólica Morretes, compra de artesanato, banho de rio para os fortes e degustação de barreado – acompanhado de cachaça local, óbvio. Na volta a Curitiba, de quebra encontramos o alambique da Ouro de Morretes, uma excelente cachaça na versão pura e carvalho.

Se no carro tiver alguém quem não degustou bebida alcoólica, dê a ele o volante e rumo à capital pela BR 116, que é mais rápido.

Sugiro a quem for por lá fazer este programa. Muita cachaça paranaense boa num caminho repleto de belezas e delícias.

Por Manoel Agostinho Lima Novo, no Devotos da Cachaça 

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Longe de nós acrescentar algo ao que o Agostinho escreveu, mas, para o pessoal que conhece, faltou falar da tradicional “pinga de banana” da cidade, não acham? 

Um dos grandes destaques dessa parte do litoral paranaense é a aguardente composta com banana, que faz muito sucesso com os turistas. 

Harmonização do Churrasco com Cachaça

Vai sair aquele churrasco no fim de semana?

Que tal tentar harmonizar as carnes com umas boa cachaças? Não é uma regra, nem é comum, mas é uma brincadeira sensacional e deliciosa, só não vá sair dirigindo depois.

Entradas:

  • Linguiça – uma boa prata para abrir o apetite, como essa Velho Ernesto
  • Frango – uma armazenada no Amendoim, como a Bassi Prata, que não vai roubar o sabor do tempero do frango, mas acrescentar notas
  • Queijo – muitos gostam do queijo derretido e levemente queimado na churrasqueira, teste então com com a Carvalheira Freijó

Carnes Vermelhas:

  • Picanha – carne nobre merece uma cachaça nobre, como a Porto Morretes Premium, envelhecida no carvalho e eleita a melhor do Brasil em 2016.
  • Costela – como é mais gordurosa, que tal tentar uma ousadia e partir para uma cachaça no bálsamo, de sabor um pouco mais seco? Ou ficar mais neutro com o jequitibá, como a Terra Vermelha

Sobremesa? Vá acompanhado de uma na Amburana (como essa Casa Bucco) que é mais adocicada, ou da Bernardo Milano, sensacional cachaça com uvas.

E aí, mais dicas? Manda pra nós que testaremos por aqui…

Saúde!!